Jan 5 2010

Iceberg?

Kishi

Vi hoje este filme da campanha contra o aquecimento global do Greenpeace Alemanha. Muito foda! Ideia e roteiro simples, mas impacto grande (porrada!):

Acho que não precisa nem entender alemão apra captar a mensagem, mas a tradução é algo assim: “Em 30 anos, o verão não haverá mais gelo no Ártico. O clima precisa de você!”

Na verdade, 30 anos é uma previsão otimista. Projeções recentes indicam que isso pode acontecer já nos próximos 5 ou 6 anos.

Nota: Para que não sabe, nos últimos anos muitos ursos polares têm sido encontrados mortos (ou estão desaparecendo)  devido ao derretimento excessivo no Ártico. Com a redução do gelo, eles têm sido obrigados a nadar distâncias muito maiores, ficam fadigados e acabam por morrer afogados.


Dec 17 2009

Devaneios da madrugada…

Kishi

Li agora há pouco o livreto “O Suplício do Papai Noel”, de Lévi-Strauss. Divertido e muito instigante, remete a algumas reflexões sobre os dias que estamos vivendo (aquecimento global, COP15) e a época das festas natalinas e de final de ano.

Bom, basicamente, direto ao assunto e em seguida vou para a cama curtir algumas escassas horinhas de sono.

Tecnicamente, Papai Noel é o filho pródigo do capitalismo. Com a ascensão do sistema mundo afora, empurrado pela Revolução Industrial, a degradação do meio ambiente pela humanidade também foi acelerada.  A utilização desenfreada de combustiveis fósseis como matriz de geração de energia fez explodir a concentração de gás carbônico na atmosfera. Todo mundo está “careca” de saber: mais CO2, maiores temperaturas em todo o planeta.

Com o aquecimento global, as calotas de gelo irão derreter. Consequentemente, a Groenlândia e o Pólo Norte virarão água. Papai Noel mora no Pólo Norte e, portanto, vai ficar sem casa. Então, ou ele morre junto com seus comparsas (talvez afogado, como está acontecendo com os ursos polares que, há alguns anos, aparecem na TV tomando um refrigerante melado escuro) ou vira um sem-teto, refugiado da “Guerra do Clima”.

Então, o capitalismo condenará seu próprio filho pródigo à morte. Ou lhe dará o mesmo tratamento destinado a milhões de pessoas em todo o planeta. Se assim for, será mais um sacrificado em algum ritual/procedimento “miraculoso”, uma oferenda da humanidade aos mortos em busca de algum milagre da salvação (vide o livro do Lévi-Strauss, você entenderá melhor esta colocação*).

Agora, eu vou “prá caminha”. Bom dia!

* O livro tem só 46 páginas, tamanho 126×186 mm.

** Não tem jabá nenhum para eu falar do livro. Sugeri a leitura porque gostei muito. Mas, se você não quiser ler, pergunte para mim pelos comentários que eu explico essa história de sacrifício/oferenda.


Oct 23 2009

Pesquisas em cibercultura

Kishi

Muito interessante, vale à pena. Fiz parte da comissão organização do evento do ano passado, ocorrido na Puc. Este ano é na ESPM. Já fiz minha inscrição e vou participar. Recomendo a todos que tiverem interesse e puderem ir. Além de mestrandos e doutorandos em cibercultura e afins, vários dos maiores pesquisadores e especialistas do país sobre o assunto participam do simpósio. E o preço é muito mais baixo do que essas palestras com os “papas” da área, que vira e mexe pipocam na mídia ou nos e-mails.

SimposioABCiber_CallForPapers


Oct 15 2009

A vida dá um jeito… mas… e quanto a nós?

Kishi

Em meio à correria e estresse do dia-a-dia, às vezes nos deparamos com coisas que parecem pequenas, mas nos levam a uma reflexão sobre os “mecanismos da vida” e a forma como temos tratado nosso mundo. Um fato ocorrido aqui em casa nos últimos dias me levou a um desses momentos.

Há algum tempo, dois pedaços dessas buchas naturais foram parar em casa (acho que meu pai deu ou trouxemos do sítio de minha avó). Um deles ficou um tempão dentro do box, entre ensaios de utilização e sabonetes, mas acabou encostado num cantinho porque a outra esponja que usamos ainda está ok. Há meses que isso está lá mas, no último feriado, uma mudança em sua composição chamou-nos a atenção: três das sementes germinaram e os brotos começaram a aparecer do lado de fora da esponja.

Bucha1

A bucha ficou um tempão seca mas, mesmo com a ação de xampus e sabonetes, a água do chuveiro foi suficiente para desencadear o processo (OK, a esponja ficou um tempo também de molho em uma bacia para sair um pouco daquele “encardido”, mas há semanas estava praticamente seca).

Diante do acontecimento, claro que eu não poderia abandonar as plantinhas no banheiro. Então, resolvi plantá-las em um vaso e ver no que dá. Se a ideia der muito certo, em breve terei que arranjar um vaso maior ou um jardim para removê-las, mas aí já é outra história. De qualquer forma, até agora já foi muito mais divertido e interessante do que plantar feijão no algodão ou gastar tempo com os novos “tamagotchis-pentelhos” no FarmVille. (rsrs)

Bucha2

Essa historinha toda pode soar ingênua ou “bobinha”, mas o que eu queria tirar de tudo isso é uma questão muito séria e preocupante: a natureza, de uma forma ou de outra, acaba se adaptando, mesmo em condições adversas, e a vida resiste, se transforma… mas… e quanto a nós? O ser humano, sem suas parafernálias tecnológicas, talvez seja uma das formas de vida mais frágeis do planeta. O que nos torna diferentes é a capacidade de construção e transformação propiciada do “encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor” (referência a Ilha das Flores, de Jorge Furtado). Não sabemos voar, não respiramos debaixo d’água, não temos garras ou presas poderosas, não temos proteção natural contra frio ou calor intensos… No entanto, estamos consumindo tanto os recursos do planeta que caminhamos a passos largos para a destruição. Como os vírus, que se alimentam da força vital das células sadias do corpo para se multiplicarem, sob o risco de acabar com o hospedeiro.

Mesmo essa capacidade “construtiva” do ser humano é limitada. A maioria das coisas só se tornou viável com trabalho conjunto em comunidade, muitas vezes galgada em sistemas baseados na divisão de classes – que também funciona no modelo de exaustão, como o vírus, mas neste caso entre seres da mesma espécie.

Em resumo, o estilo de vida praticado e almejado predominante não só está destruindo os recursos naturais do planeta, como também arrasa as relações humanas, essenciais para nossa sobrevivência. Grandes mudanças e esforços são necessários, estamos correndo contra o tempo. Para nós, 100 anos é muito tempo. Mas para a natureza, 1.000 anos são praticamente nada.

Os impactos causados pelo aquecimento global podem varrer a humanidade da face da Terra. Outras formas de vida podem também desaparecer junto conosco. No entanto, cedo ou tarde, outras formas reaparecerão e a vida continuará, como já aconteceu pelo menos em outras 5 ocasiões nos bilhões de anos do planeta. Mas a existência humana será apenas História…


Oct 4 2009

Gracias a la vida…

Kishi

MercedesSosa
Sem muitas palavras (seria “lugar comum” escrever linhas e mais linhas sobre o que ela fez e tudo o que sempre representará em nossa história), minha homenagem àquela que encantou-nos com sua voz poderosa e inspirou-nos na luta contra as injustiças. Descanse em paz, Mercedes Sosa…

(A música é de Violeta Parra, mas sem dúida ficou eternizada em nossos ouvidos e corações por Mercedes.)

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto

Gracias a la vida


Oct 1 2009

“How can we dance when our Earth is turning? How do we sleep while our beds are burning?”

Kishi

A música do Midnight Oil é provavelmente minha predileta. Ouvir esse som de Peter Garrett & Cia. inspirou-me muito para lutar por um mundo melhor – incluindo os anos de trabalho dedicados ao Greenpeace. Para quem não sabe, o próprio Peter foi membro do conselho do Greenpeace Internacional, além de participar de algumas ações ao redor do mundo – uma delas aqui no Brasil, na Av. Henrique Schauman, em 1997, contra a poluição urbana relacionada aos carros e outra em New York, contra a Exxon, na época do derramamento de óleo pelo navio Exxon Valdez.

Esta nova versão conta com  participação de diversos artistas e músicos conhecidos internacionalmente, e faz parte da coalisão mundial para pressionar os governantes por acordos concretos contra as mudanças climáticas na COP15, em dezembro de 2009, em Copenhagen.


Sep 14 2009

“Today is a good day…”

Kishi

tiagdcdsingle

O New Model Army lançou hoje seu novo trabalho. Do que vi e ouvi, a banda parece manter a mesma pegada de sempre, com letras provocativas e mpusicas extremamente crpiticas ao sistema sócio-político-econômico predominante no mundo. A música tema do álbum, “Today is a good day” (disponível para download), tem guitarras um pouco mais pesadas do que outras músicas as, sem dúvida, continua sendo o mesmo NMA de sempre.

Pena que o show que eles fariam por aqui em agosto foi cancelado. Mas, quem sabe, em breve…


Jul 24 2009

Alice…

Kishi
madhatter_aliceinwonderland

Disney.com/wonderland

Foi divulgado esta semana o primeiro trailer da nova versão cinematográfica de “Alice in Wonderland”. Dirigido por Tim Burton, a estória ganhou um ar mais sombrio desta vez, característica dos trabalhos do diretor. Como sou fã dele e acho mesmo que o conto de Lewis Carroll tem mesmo esse toque mais “obscuro”, empolguei-me bastante com a idéia do filme. (Diga-se de passagem, “Alice” já inspirou muita coisa mais “underground”, nem sempre diretamente ligada a esse enredo – há algum tempo dava para achar no Google.)

Só que a espera ainda será um pouco longa, a estréia está prevista para março de 2010. Bom, enquanto isso, a gente vai se contentando com o aperitivo abaixo (e outros que devem rolar ao longo dos próximos meses). Para que quiser saber mais, o site oficial é: disney.com/wonderland (embora não tenha muita coisa ainda…)

PS: OK, o filme é produzido pela Disney, que tem lá suas implicações “sinistras” na história da política dos EUA (principalmente nas questões externas e ideológicas)… Mas vamos aguardar para ver e, como sempre, analisar tudo de olhos bem abertos, sem esquecer o bom senso crítico.


Jul 13 2009

“Long live rock’n'roll!”

Kishi

golpedeestado-20090712A foto não está lá essas coisas por ter sido tirada com meu celular “Ching Ling” (deixei a máquina fotográfica com meus filhos, que estavam no AnimeFriends). Também não ajuda o fato do lugar ser o “puxadinho” da Galeria do Rock, em São Paulo, onde rolaram diversos shows neste fim-de-semana. Mas o que vale é o registro. E também a ocasião, o motivo, o lugar… Dia Mundial do Rock, comemorado sem muita frescura (com algumas horas de antecedência), em um lugar simples e autêntico, mas muito representativo para a cena rock paulistana, com toda sua bagagem histórica. Aliás, história é o que não falta para os caras da foto aí em cima, do Golpe de Estado, banda que está na estrada há mais de 20 anos e marcou gerações de roqueiros brasileiros. (hahaha, notei agora no site oficial do Golpe que eu apareço em algumas fotos) Show super competente, muito bom, como sempre.

Mas o que muita gente parece esquecer (ou nem saber) é que a origem data comemorativa é, na verdade, um evento cercado de atitude por um mundo melhor. No dia 13 de julho de 1985, acontecia o Live Aid, concerto de rock realizado simultaneamente em diversos países. Idealizado por Bob Geldolf (músico e ator – para quem não conhece, talvez ajude a refrescar a memória: é aquele que raspa os pêlos do corpo no filme The Wall), o objetivo era arrecadar fundos para as vítimas da fome na Etiópia. O rock, em muitos momentos, esteve (e está) ligado a atitude. Então, nada mais justo do que a escolha dessa data para a celebração (e conscientização, por que não?).

“Long live rock’n'roll!”


Jul 8 2009

Suspiro pela Terra

Kishi
g8-climate-2009

Ativistas do Greenpeace protestam durante a cúpula do G8. Foto: Greenpeace

Pelo andar da situação, parece que a classe dominante e a maior parte dos políticos do mundo realmente estão pouco se lixando para o que dizem cientistas e ambientalistas sobre o aquecimento global. Ou continuam dando mais valor para dinheiro do que a vida das pessoas, em uma equação de uma balança totalmente pendente. Ou acreditam que tudo isso é um tipo de conto de fadas da era contemporânea/cibernética. Ou acreditam em algum tipo de milagre divino (ou extra-terrestre) que irá salvar a humanidade das mudanças climáticas. Ou tudo isso ao mesmo tempo. Ou, ainda, já disseram um grande f*#@-$e para tudo isso.

Apesar de todas as discussões, protestos, pressões, informações, evidências, etc., continuam a brincar com o futuro da humanidade. Li agora há pouco no Estadao.com.br que, mesmo diante de tudo isso, não chegam a um acordo (“Potências desistem de meta de corte de emissão de CO2 – Impasse entre emergentes e países desenvolvidos impede acordo para redução de 50% da poluição até 2050” – 08/07/2009).

O Greenpeace mais uma vez fez uma série de protestos sobre a questão, como vemos na foto acima de ontem.  OK, o “iceberg” inflável está mais para um “suspiro” gigante (meus amigos do Greenpeace vão querer me matar por esse comentário… hehe – sei das dificuldades de se moldar algo assim inflável, mas que parece, parece…). Mas nem por isso a manifestação deixa de ter seu valor. Muito pelo contrário. Poderia até dizer que tem um significado implícito, quase “subliminar”. O formato que lembra do doce remete à palavra suspiro (s.m. Som ou toada melancólica; gemido, lamento). E daí fica na cabeça o quão lastimável é a questão, lamentamos pelo nosso futuro. (Eita devaneio na semiótica discursiva, mas até que faz sentido…)

Mas, se eles não mudam, a gente muda. A questão hoje é repensar nossos hábitos de consumo, alterar padrões e revolucionar nosso modo de vida, sempre pensando na sustentabilidade ambiental do que fazemos. Isso não significa abdicar de conforto e de uma vida boa. Só que temos que pensar nesse conforto de forma a também garantir o equilíbrio do planeta. Afinal, é nosso próprio bem-estar que está em jogo.