
Deixe seu carro em casa pelo menos um dia! Vá trabalhar de ônibus/metrô/trem, bicicleta… vá a pé… ou vá até de moto, mas mude um pouco, pelo menos uma vez. OK, o transporte coletivo continua uma lástima, mas se a gente não começar a fazer alguma coisa IMEDITATAMENTE, a coisa vai ficar absolutamente inviável, principalmente aqui em São Paulo (outras cidades também já experimentam esse caos urbano causado por isso que já virou uma praga, que chamam de automóvel de passeio…).
qui em Sampa a corrida é contra o tempo (curtíssimo, diga-se de passagem). Alguns especialistas acham que o “apocalipse” do trânsito acontece em 2012. Outros põem uns 2 ou 3 anos a mais. Os mais alarmistas (ou mais conscientes do verdadeiro tamanho do problema?) acreditam que pode acontecer bem antes disso, talvez a qualquer momento, se houver um “empurrãozinho” de algum acidente mais grave em algum “ponto estratégico” ou de alguma intempérie do clima…
As “propostas” da maioria dos candidatos à prefeitura de São Paulo refletem a falta de compromisso verdadeiro e real consciência (juntando com a vontade política, interesses econômicos etc.) com a questão. Não faltam soluções mirabolantes, esdrúxulas, pífias e coisas do gênero, que ficam bonitas só nas animações 3D do programa eleitoral, mas que estão muito distantes da realidade e da viabilidade. Para piorar, parece que nenhum dos 3 candidatos que lideram as pesquisas está falando sério diante da dimensão do problema. Ah, tem também aquele que já foi prefeito (o dos fuscas da copa de 70) e aquele que gostou tanto do trenzinho da Epcot Center que quer construir um monte igual por aqui. Aff… sem comentários…
As soluções efetivas de curtíssimo prazo não estão em gatos de bilhões de reais em obras viárias, nem mesmo no metrô. Ter muito mais metrô do que temos hoje é sim fundamental, mas não temos tempo para isso; só o prazo necessário para construir o mínimo para aliviar a situação é muito maior do que o tempo até o “dia apocalíptico”. Os pouquíssimos que parecem ter propostas realmente conscientes talvez estejam bem distantes de ser eleitos.
Não adianta ter ônibus novo rodando se tem tanta gente para entrar neles que a impressão que se tem é a de que o atum ralado dentro da latinha está mais confortável que a gente… :-S Tem que haver uma “revolução” no transporte público da cidade. Mudanças radicais de planejamento, remanejamento de linhas, terminais de integração, estacionamentos integrados com o metrô (a preços realmente acessíveis e viáveis e não só apra automóveis mas também para as bikes e outros meios de transporte), bicicletas (muitas delas), ciclovias. Integrar tudo, facilitar todo o acesso. A idéia não é ter que rodar a cidade toda de bicicleta, mas ser viável utilizá-la por alguns quilômetros ou o mínimo necessário até um ponto de integração com transporte coletivo. As soluções são muito mais simples e baratas do que parecem, tudo é principalmente questão de mudança de atitude e vontade política.
Lembro do livro “Não Verás País Nenhum”, do Ignácio de Loyola Brandão. Entre outros problemas e catástrofes ambientais, ele coloca no livro uma situação em que o trânsito da cidade pára um dia e nunca mais volta a fluir, transformando-se em um imenso cemitério de carros. Nessa ficção (que pode na verdade ser muito real), a maioria das pessoas teve que abandonar seus veículos no congestionamento insolúvel. Muitas iam “visitar” os carros como se fossem a um museu, ruínas da antiguidade ou ao cemitério “visitar” parentes que se foram desse mundo. Outras resolveram morar nos carros estagnados e assim por diante. Recomendo a leitura. Pode soar como uma situação absurda, inclusive quanto ao comportamento das pessoas, mas parece cada dia mais real e provável, principalmente se considerarmos as atitudes que muitos têm em relação a seus automóveis. É o paradigma do automóvel: seu excesso está gerando a imobilidade.
Para ler mais sobre as campanhas por cidades livres de carros:
www.adbusters.org/category/tags/carfree
worldcarfree.net
(depois coloco outros mais aqui)