Oct 15 2009

A vida dá um jeito… mas… e quanto a nós?

Kishi

Em meio à correria e estresse do dia-a-dia, às vezes nos deparamos com coisas que parecem pequenas, mas nos levam a uma reflexão sobre os “mecanismos da vida” e a forma como temos tratado nosso mundo. Um fato ocorrido aqui em casa nos últimos dias me levou a um desses momentos.

Há algum tempo, dois pedaços dessas buchas naturais foram parar em casa (acho que meu pai deu ou trouxemos do sítio de minha avó). Um deles ficou um tempão dentro do box, entre ensaios de utilização e sabonetes, mas acabou encostado num cantinho porque a outra esponja que usamos ainda está ok. Há meses que isso está lá mas, no último feriado, uma mudança em sua composição chamou-nos a atenção: três das sementes germinaram e os brotos começaram a aparecer do lado de fora da esponja.

Bucha1

A bucha ficou um tempão seca mas, mesmo com a ação de xampus e sabonetes, a água do chuveiro foi suficiente para desencadear o processo (OK, a esponja ficou um tempo também de molho em uma bacia para sair um pouco daquele “encardido”, mas há semanas estava praticamente seca).

Diante do acontecimento, claro que eu não poderia abandonar as plantinhas no banheiro. Então, resolvi plantá-las em um vaso e ver no que dá. Se a ideia der muito certo, em breve terei que arranjar um vaso maior ou um jardim para removê-las, mas aí já é outra história. De qualquer forma, até agora já foi muito mais divertido e interessante do que plantar feijão no algodão ou gastar tempo com os novos “tamagotchis-pentelhos” no FarmVille. (rsrs)

Bucha2

Essa historinha toda pode soar ingênua ou “bobinha”, mas o que eu queria tirar de tudo isso é uma questão muito séria e preocupante: a natureza, de uma forma ou de outra, acaba se adaptando, mesmo em condições adversas, e a vida resiste, se transforma… mas… e quanto a nós? O ser humano, sem suas parafernálias tecnológicas, talvez seja uma das formas de vida mais frágeis do planeta. O que nos torna diferentes é a capacidade de construção e transformação propiciada do “encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor” (referência a Ilha das Flores, de Jorge Furtado). Não sabemos voar, não respiramos debaixo d’água, não temos garras ou presas poderosas, não temos proteção natural contra frio ou calor intensos… No entanto, estamos consumindo tanto os recursos do planeta que caminhamos a passos largos para a destruição. Como os vírus, que se alimentam da força vital das células sadias do corpo para se multiplicarem, sob o risco de acabar com o hospedeiro.

Mesmo essa capacidade “construtiva” do ser humano é limitada. A maioria das coisas só se tornou viável com trabalho conjunto em comunidade, muitas vezes galgada em sistemas baseados na divisão de classes – que também funciona no modelo de exaustão, como o vírus, mas neste caso entre seres da mesma espécie.

Em resumo, o estilo de vida praticado e almejado predominante não só está destruindo os recursos naturais do planeta, como também arrasa as relações humanas, essenciais para nossa sobrevivência. Grandes mudanças e esforços são necessários, estamos correndo contra o tempo. Para nós, 100 anos é muito tempo. Mas para a natureza, 1.000 anos são praticamente nada.

Os impactos causados pelo aquecimento global podem varrer a humanidade da face da Terra. Outras formas de vida podem também desaparecer junto conosco. No entanto, cedo ou tarde, outras formas reaparecerão e a vida continuará, como já aconteceu pelo menos em outras 5 ocasiões nos bilhões de anos do planeta. Mas a existência humana será apenas História…